Capítulo 6 - 18 meses de fundo do poço com uma cama elástica
Capítulo 6
18 meses de
fundo do poço com uma cama elástica
Os três últimos anos foram longos e de batalhas invisíveis, travadas
contra o monstro silencioso da compulsão alimentar e da ansiedade generalizada.
A cada seis meses, uma recaída na intoxicação pelos benzodiazepínicos me
arrastava para um abismo de desespero.
Em janeiro de 2023, uma nova sombra se abateu sobre minha vida com a
perda de minha mãe. A dor do luto trouxe à tona uma nova camada de escuridão.
Um antipsicótico, um estabilizador de humor e um coadjuvante se tornaram meus
companheiros diários, receitados religiosamente junto a um acompanhamento
médico, mais um período de tratamento que se inicía, aos 46 anos.
Desde aquele fatídico janeiro, os pensamentos obsessivos passaram a
invadir minha mente durante as intoxicações, como serpentes sinuosas que se
infiltram na noite. As atividades físicas, outrora um alívio para minha alma
conturbada, tornaram-se lembranças distantes. Novamente, em momentos de crise,
expus pessoas na internet, movida por frustrações e reações a provocações que
penetravam fundo em meu coração. Relações que parecem ter sido para sempre
rompidas. Essas crises minaram minhas interações de trabalho, amizades e até mesmo
laços familiares. Senti que não era eu mesma, uma estranha habitando minha
própria pele.
Ao longo dos últimos sete anos, minha vida se tornou uma batalha
constante contra a compulsão alimentar, um recurso desesperado que encontrei
para não sucumbir à escuridão mental que me envolveu em momentos de desespero.
Essa luta silenciosa e solitária me levou a recuperar todo o peso que havia
eliminado com a cirurgia de estômago, e, após uma década sem sobrepeso, aqui
estou eu, convivendo com 109 quilos. Essa nova realidade é um fardo que pesa
não apenas no meu corpo, mas também na minha alma, cheio de limitações
autoimpostas que me isolam do mundo.
O isolamento se tornou meu refúgio, meu quarto, uma fortaleza onde me
escondo das olhares julgadores. A ideia de sair de casa é tão opressiva quanto
vestir roupas que não se ajustam ao meu corpo. A cada saída, sinto que o mundo
se fecha para mim, e o preconceito se manifesta como uma força esmagadora,
reforçando minhas inseguranças. É como naquele trabalho que apresentei no MBA
no Rio de Janeiro, onde minhas mãos tremiam e a voz falhava, e o riso dos
colegas apenas amplificava minha sensação de inadequação. Evito o contato
humano, restringindo-me a mensagens de texto, um escudo contra a exposição
pública que me aterroriza.
Minha fobia social se intensificou, tornando-se uma sombra constante.
Quando me aventuro para além das portas de casa, sinto o peso dos olhares e das
energias julgadoras. Claro, parte desse sentimento pode ser uma criação da
minha própria mente, uma projeção das minhas inseguranças, mas é assim que me percebo
neste momento. Sinto que meu rosto inchado esconde meus olhos e meu sorriso,
apagando qualquer vestígio de alegria.
Foi em meio a esse turbilhão de emoções e autocrítica que descobri o
trabalho de Bárbara Moreira, uma coach holística e mentora do curso
"Desprogramação de Crenças Limitantes", oferecido através do canal de
YouTube DESPROGRAME-SE. Bárbara ensina que o autoconhecimento é a chave para
nos libertarmos das correntes invisíveis que nos mantêm presos a uma vida
limitada. Em seus ensinamentos, ela fala sobre as competências de autonomia,
compaixão e produtividade como pilares para alcançar uma prosperidade
auto-sustentável e contribuir significativamente para o mundo.
Ela descreve que cada um de nós tem um universo único, e é possível
viver uma vida plena e sem preconceitos ao desprogramar as crenças limitantes
que nos foram impostas. Ainda estou longe de alcançar esse estado de plenitude
e liberdade que Bárbara descreve. No entanto, as suas palavras acendem uma
faísca de esperança, sugerindo que a saída desse labirinto de inseguranças e
autossabotagem pode estar mais próxima do que imagino.
Enquanto luto para reencontrar minha força e reconstruir meu caminho, as lições de Bárbara Moreira me lembram que a jornada para o autoconhecimento é um passo vital para superar as sombras do passado. É um processo de descoberta e transformação que, embora desafiador, oferece a promessa de uma vida onde eu possa finalmente me sentir segura e confiante para abrir as portas do mundo novamente.
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