Capítulo Final

O Despertar do Coração

 

Hoje, perto dos 48 anos, apesar de já ter passado por três crises e modificado as medicações por três vezes, nos últimos 18 meses, na maioria dos dias, com as medicações e acompanhamentos médicos, vivo de maneira proativa, produzindo em boa escala diária, comprometida com minhas atividades profissionais, com foco e concentração nos estudos, porém, isolada socialmente por vergonha do excesso de peso e de outras fobias sociais e ainda sem conseguir voltar ás atividades físicas e nem para a terapia. Entendi que estou num processo que requer paciência e força por ser progressivamente lento, ainda mais depois de uma crise. É sempre quase um recomeço. Mas nem tudo depende de mim ou dos medicamentos.

 

Vivemos em uma sociedade que ainda engatinha na compreensão das condições mentais. Progredimos na luta contra a discriminação de vários grupos, mas as questões de saúde mental permanecem envoltas em estigmas e incompreensões. Ana Beatriz Barbosa Silva, em seu livro "Mentes Ansiosas", ressalta como a falta de compreensão pode agravar ainda mais as condições de ansiedade e compulsão. A falta de conhecimento e empatia da maioria das pessoas impede um tratamento adequado e prolongado, além de aumentar os danos morais, sociais e emocionais que sofremos.

 

Continuo na saga sobre um tratamento caro e inacessível, onde a psicoterapia, essencial para minha recuperação, está fora do meu alcance financeiro. Louise L. Hay, em "Você Pode Curar Sua Vida", fala sobre o poder transformador da mente e como crenças limitantes podem ser superadas. Porém, para muitos, o caminho até esse ponto é árduo e repleto de obstáculos.

 

Existem outros como eu, lutando suas próprias batalhas silenciosas. Histórias de superação como a de Lúcio, que após anos de luta contra a ansiedade e a compulsão alimentar, encontrou na meditação e na mudança de hábitos alimentares um novo caminho para a cura. Ou Joana, que após a perda do emprego e um divórcio traumático, redescobriu sua força interior através da prática da gratidão e do suporte de um grupo de apoio emocional.

 

Assim, enquanto escrevo estas últimas palavras, percebo que minha jornada está longe de terminar. Cada dia é uma nova batalha, um novo desafio a ser enfrentado. A dor e a culpa ainda estão presentes, mas também há esperança. O processo de cura é contínuo e exige paciência, autocompaixão e uma rede de apoio.

 

Às vezes, é no abismo mais profundo que encontramos a força para escalar as montanhas mais altas. E mesmo que a sociedade ainda não esteja preparada para entender completamente nossas lutas, cada passo que damos em direção à nossa própria cura é um ato de coragem e resistência.

 

Encerro este livro com a certeza de que, apesar de todas as dificuldades, há uma luz no fim do túnel. E é essa luz que guia meus passos, um dia de cada vez, rumo a um futuro onde a paz, a estabilidade e a serenidade possam, finalmente, encontrar um lugar permanente em meu coração.

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Fontes

1. Barbosa, Ana Beatriz. "Mentes Ansiosas" e outros.

2. Hay, Louise L. "Você Pode Curar Sua Vida" e outros.

3. Barbosa, Ana Beatriz. "Mentes e Manias."

4. Hay, Louise L. "Amar-se e Curar-se."

5. Diogo Lara. "Corações Descontrolados" e outros.

6. Bárbara Moreira. www.desprogramese.com.br; Canal do Youtube: desprogrAME-SE; Instagram: @desprogramese

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